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Looper detectou uma arritmia, mas o eletrocardiograma estava normal. Devo me preocupar?

  • Foto do escritor: Clínica Empar
    Clínica Empar
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura

Por Dr. Marcello Henrique Paschoal, Cardiologista

da EMPAR – CRM-DF 16985 




Você fez um eletrocardiograma (ECG), recebeu a notícia de que estava tudo normal e seguiu sua rotina. Dias ou semanas depois, realizou um Looper e o exame detectou uma arritmia. É comum que isso gere preocupação e a primeira pergunta quase sempre é a mesma:


"Será que um dos exames falhou?"

Na grande maioria das vezes, a resposta é não.

O Looper, também conhecido como monitor cardíaco implantável, foi desenvolvido justamente para registrar alterações do ritmo cardíaco que podem passar despercebidas em exames rápidos, como o eletrocardiograma convencional.

Se você ainda não conhece esse exame, recomendamos a leitura do nosso artigo "Looper implantável: tecnologia que ajuda a diagnosticar arritmias ocultas", no qual explicamos seu funcionamento e suas principais indicações.


Por que o Looper encontrou uma arritmia e o eletrocardiograma não?

O eletrocardiograma continua sendo um dos exames mais importantes da Cardiologia. Ele é rápido, acessível e pode diagnosticar diversas doenças do coração.

Entretanto, ele registra a atividade elétrica cardíaca durante apenas alguns segundos.

Agora imagine tentar fotografar um beija-flor que visita seu jardim por poucos segundos ao longo do dia. Se você fizer apenas uma fotografia, talvez ele não apareça. Mas, se instalar uma câmera gravando continuamente durante vários dias, as chances de registrá-lo aumentam muito.

É exatamente essa a diferença entre o ECG e o Looper. “Fotografia x filme”.

Muitas arritmias são intermitentes: aparecem apenas ocasionalmente e desaparecem espontaneamente. Se elas não estiverem presentes no momento do eletrocardiograma, o resultado será normal.

Já o Looper monitora continuamente o ritmo cardíaco por dias, semanas ou até anos, aumentando significativamente a chance de registrar essas alterações.


Quando o Looper costuma ser indicado?

O Looper é especialmente útil quando o paciente apresenta sintomas que aparecem de forma esporádica, como:

  • palpitações; 

  • sensação de batimentos acelerados ou irregulares; 

  • tonturas sem causa aparente; 

  • desmaios; 

  • episódios de perda de consciência; 

  • sensação de "falhas" nos batimentos. 

Nessas situações, um ECG convencional ou até mesmo um Holter de 24 horas podem não registrar a alteração, tornando o monitor cardíaco implantável uma excelente opção diagnóstica.


Encontrar uma arritmia significa que existe uma doença grave?

Na maioria das vezes, não.

Essa talvez seja a principal mensagem deste artigo.

Muitas arritmias são benignas e podem ocorrer até mesmo em pessoas com o coração estruturalmente normal. Um exemplo bastante comum são as extrassístoles, frequentemente percebidas como uma "falha" ou um "tranco" no peito.

Por outro lado, algumas arritmias exigem investigação e tratamento, como determinados casos de fibrilação atrial, que podem aumentar o risco de acidente vascular cerebral (AVC), ou algumas taquicardias sustentadas.

Por isso, detectar uma arritmia é apenas o primeiro passo. O mais importante é compreender o seu significado clínico.


O que acontece depois que o Looper detecta uma arritmia?

O resultado do exame nunca deve ser interpretado de forma isolada.

Além do traçado registrado pelo Looper, o cardiologista considera os sintomas do paciente, seu histórico clínico, o exame físico e, quando necessário, outros exames, como o ecocardiograma, o teste ergométrico e exames laboratoriais.

Essa avaliação permite responder às perguntas que realmente importam:

  • A arritmia explica os sintomas? 

  • Ela oferece algum risco à saúde? 

  • Existe necessidade de tratamento ou apenas de acompanhamento? 

Dependendo da resposta, a conduta pode variar desde simples acompanhamento até o uso de medicamentos ou procedimentos como a ablação por cateter.

Cada paciente é único, e a decisão deve ser sempre individualizada.


Quando devo me preocupar?

A maioria das arritmias não representa uma emergência médica. Ainda assim, alguns sintomas merecem avaliação rápida, especialmente quando associados a alterações do ritmo cardíaco:

  • desmaios; 

  • dor no peito; 

  • falta de ar importante; 

  • palpitações prolongadas acompanhadas de mal-estar; 

  • tonturas intensas. 

Nessas situações, a investigação não deve ser adiada.


O mais importante:

Receber um resultado mostrando uma arritmia após um eletrocardiograma normal não significa que houve erro em nenhum dos exames.

Na verdade, significa que o Looper cumpriu exatamente sua função: registrar uma alteração que aconteceu fora do curto período avaliado pelo ECG.

Também é importante lembrar que nem toda arritmia representa uma doença grave. Muitas alterações são benignas e exigem apenas acompanhamento. Outras, quando identificadas precocemente, podem ser tratadas de forma eficaz, reduzindo sintomas e prevenindo complicações futuras.

Na EMPAR, a avaliação é realizada de forma integrada por cardiologistas com ampla experiência clínica. Nos casos que exigem investigação especializada, contamos também com a Dra. Patrícia Rueda, referência em eletrofisiologia clínica e tratamento das arritmias cardíacas, oferecendo aos pacientes acesso às opções diagnósticas e terapêuticas mais modernas.


Mensagem do cardiologista

Na prática do consultório, é muito comum atender pacientes preocupados porque o Looper detectou uma arritmia que não apareceu no eletrocardiograma. Na maioria das vezes, isso não significa que a doença surgiu entre um exame e outro. Significa apenas que o monitor conseguiu registrar um evento que o ECG, pela sua curta duração, não teve oportunidade de captar.

O maior benefício desse exame não é simplesmente identificar uma arritmia, mas permitir que ela seja interpretada dentro do contexto clínico de cada paciente. É essa avaliação individualizada que define se estamos diante de uma alteração benigna ou de uma condição que merece tratamento.

Dr. Marcello Henrique PaschoalCardiologista – EMPAR


Perguntas frequentes

O Looper é mais preciso que o eletrocardiograma?

Os exames têm objetivos diferentes. O eletrocardiograma registra a atividade elétrica do coração durante alguns segundos, enquanto o Looper monitora o ritmo cardíaco por um período prolongado. Por isso, ele é mais eficaz para detectar arritmias intermitentes.

O Looper substitui o Holter?

Não. Os exames são complementares. O Holter monitora o coração por 24 a 48 horas, enquanto o Looper é indicado quando os sintomas são pouco frequentes ou quando há necessidade de monitorização por períodos mais longos.

Toda arritmia encontrada no Looper precisa de tratamento?

Não. Muitas arritmias são benignas e necessitam apenas de acompanhamento. O tratamento depende do tipo de arritmia, da presença de sintomas e das características de cada paciente.

Posso ter uma arritmia sem sentir sintomas?

Sim. Algumas arritmias podem ocorrer de forma silenciosa, como determinados episódios de fibrilação atrial. Nesses casos, o diagnóstico precoce pode ser importante para reduzir o risco de complicações.


Referências

  1. Joglar JA, Chung MK, Armbruster AL, et al. 2023 ACC/AHA/ACCP/HRS Guideline for the Diagnosis and Management of Atrial Fibrillation. Circulation. 2024;149:e1-e156. 

  2. Hindricks G, Potpara T, Dagres N, et al. 2020 ESC Guidelines for the diagnosis and management of atrial fibrillation. European Heart Journal. 2021;42:373-498. 

  3. Brignole M, Moya A, de Lange FJ, et al. 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of syncope. European Heart Journal. 2018;39:1883-1948. 

  4. Sanna T, Diener HC, Passman RS, et al. Cryptogenic Stroke and Underlying Atrial Fibrillation (CRYSTAL-AF). New England Journal of Medicine. 2014;370:2478-2486. 

  5. Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC). Diretrizes e documentos de consenso sobre diagnóstico e tratamento das arritmias cardíacas. 

 
 
 

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