Smartwatch no treino: o relógio realmente ajuda a detectar arritmias?

Por Dr. Danilo Guercio Fernandes
CRM 16202-DF/ RQE 12233

Descubra como a tecnologia vestível pode ser uma aliada para atletas de alta performance na identificação de sinais silenciosos durante o exercício.
Para o público de Brasília que investe em alta performance e saúde, o uso de relógios inteligentes (smartwatches) e outros dispositivos vestíveis tornou-se quase obrigatório durante os treinos. Uma das perguntas mais frequentes no consultório é se essa tecnologia realmente funciona para proteger o coração. A resposta curta é que esses dispositivos são ferramentas complementares valiosas, especialmente porque muitas alterações do ritmo cardíaco, as chamadas arritmias, podem ser difíceis de capturar em um ambiente de consultório ou laboratório.
É mais provável que atletas sintam palpitações ou uma sensação de "batedeira" apenas durante o esforço máximo, mas apresentem exames normais em repouso. Nesses casos, a ciência recomenda o uso de monitores vestíveis durante a prática esportiva para registrar o ritmo cardíaco exatamente no momento em que o desconforto ocorre. Essa capacidade de monitoramento em tempo real ajuda o cardiologista a diferenciar uma resposta normal do coração ao esforço de uma arritmia que exija tratamento ou ajuste nos treinos.
Para os atletas acima de 40 anos — o público master que frequenta nossa clínica —, essa tecnologia ganha ainda mais relevância. Estudos mostram que atletas de endurance com vários anos de treinamento acumulado em alto volume têm um risco de 3 a 5 vezes maior de desenvolver fibrilação atrial, uma forma de batimento irregular, em comparação com pessoas menos ativas. Dispositivos que monitoram o ritmo cardíaco de forma contínua podem detectar episódios silenciosos dessa condição, permitindo uma intervenção precoce e evitando complicações futuras.
Entretanto, é fundamental entender que um smartwatch não substitui o eletrocardiograma de 12 derivações realizado por um especialista. Embora o relógio seja útil para flagrar sintomas súbitos, o eletrocardiograma clínico continua sendo a ferramenta central para identificar doenças do músculo cardíaco e riscos elétricos graves que a tecnologia de pulso ainda não consegue mapear com a mesma precisão. Além disso, o diagnóstico definitivo de qualquer condição cardíaca exige uma avaliação que combine os dados do dispositivo com exames de imagem e a análise do histórico do paciente.
É importante ressaltar que o alerta do relógio deve ser acompanhado pela atenção aos sinais do próprio corpo. Se você sentir dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura ou desmaio durante o treino, esses são considerados "sinais vermelhos" que exigem investigação imediata, independentemente do que o seu monitor mostrar. A tecnologia deve servir como um suporte para o autoconhecimento, e não como uma garantia absoluta de segurança sem o acompanhamento médico adequado.
Conclusão:
Na Clínica Empar, integramos os dados gerados pela sua tecnologia vestível à nossa avaliação clínica multimodal, que inclui exames avançados como a ressonância magnética e testes de esforço especializados. O objetivo é utilizar todas as ferramentas disponíveis para garantir que sua busca pela melhor performance seja feita sobre um alicerce de segurança cardiovascular. Através de uma decisão compartilhada, transformamos os dados do seu relógio em informações úteis para uma prescrição de exercício segura e personalizada.
Referência:
Sharma S, Marwaha S. Sports cardiology for the general cardiologist. Heart. 2026. doi:10.1136/heartjnl-2025-326963.





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