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Falta fôlego conversando? Algumas orientações especilizadas para melhorar esse sintoma.

  • Foto do escritor: Clínica Empar
    Clínica Empar
  • 6 de jul.
  • 4 min de leitura

Por Carol Schon - Fisioterapeuta, PhD. Reabilitação Cardiovascular

| CREFITO 213068



Você começa uma frase e na terceira palavra já falta o ar. Reuniões profissionais, conversas familiares ou até telefonemas simples viram desafios. Essa dispneia verbal é comum em pacientes com condições cardiopulmonar e pode desaparecer com exercícios específicos que melhoram a coordenação toracoabdominal e sua captação fisiológica de oxigênio.


  • Por que falta fôlego só conversando?


Algumas condições de saúde podem alterar a mecânica da respiração, colocando o principal músculo respiratório, o diafragma, em desvantagem biomecânica. Nessas situações, ele precisa trabalhar mais para realizar a mesma tarefa, tornando a respiração menos eficiente.

Na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), por exemplo, o aprisionamento de ar nos pulmões faz com que o diafragma permaneça mais achatado do que o normal. Nessa posição, sua capacidade de gerar força é reduzida, aumentando o esforço respiratório e favorecendo o aparecimento da falta de ar, que pode surgir até mesmo durante uma conversa.

Já na Insuficiência Cardíaca (IC), além das alterações na função cardiovascular, podem ocorrer mudanças estruturais e funcionais na musculatura respiratória, incluindo o diafragma. Como consequência, esse músculo pode se tornar mais fraco e menos resistente à fadiga, dificultando inspirações mais profundas e tornando atividades cotidianas, como conversar, caminhar ou subir escadas, mais cansativas.


1ª dica: Faça a expiração com os lábios semicerrados (freno labial)


Se você sente falta de ar, principalmente por doenças pulmonares como a DPOC, um exercício simples pode ajudar: respirar para fora com os lábios semicerrados, como se estivesse apagando uma vela lentamente ou assobiando sem emitir som.

Ao expirar dessa forma, o ar sai mais devagar, gerando uma leve pressão positiva dentro das vias aéreas. Essa pressão ajuda a mantê-las abertas por mais tempo durante a expiração, reduzindo o colabamento dos pequenos brônquios e facilitando a saída do ar que ficou aprisionado nos pulmões. Como resultado, os pulmões conseguem esvaziar-se de maneira mais eficiente, diminuindo a hiperinsuflação pulmonar e deixando mais espaço para a próxima inspiração.

Além de melhorar a eficiência da respiração, essa técnica também reduz a frequência respiratória, diminui o trabalho dos músculos respiratórios e costuma aliviar a sensação de falta de ar durante atividades do dia a dia, como caminhar, subir escadas ou até mesmo conversar.


Como fazer:


  • Inspire lentamente pelo nariz por cerca de 2 segundos.

  • Em seguida, expire pela boca com os lábios semicerrados, como se estivesse soprando uma vela suavemente.

  • Procure fazer a expiração durar aproximadamente o dobro do tempo da inspiração (por exemplo, inspire por 2 segundos e expire por 4 segundos), sem forçar a saída do ar.

  • Repita o exercício por 1 a 3 minutos ou sempre que sentir falta de ar.


2ª dica: Pratique a respiração diafragmática


A respiração diafragmática é uma técnica que ajuda você a utilizar de forma mais eficiente o principal músculo da respiração: o diafragma. Em muitas pessoas que convivem com doenças respiratórias ou cardíacas, a falta de ar faz com que a respiração se torne rápida, superficial e realizada principalmente com os músculos do pescoço e dos ombros, que se cansam com facilidade e aumentam ainda mais a sensação de esforço para respirar.

Ao direcionar a respiração para o diafragma, você favorece uma expansão mais eficiente da parte inferior dos pulmões, onde ocorre grande parte das trocas gasosas. Isso reduz o trabalho respiratório, melhora a ventilação pulmonar e proporciona uma respiração mais lenta, profunda e confortável. Com a prática, muitas pessoas percebem menor sensação de falta de ar durante atividades como caminhar, conversar ou realizar tarefas do dia a dia.

Como fazer:

  • Sente-se confortavelmente ou deite-se, mantendo os ombros relaxados.

  • Coloque uma das mãos sobre o peito e a outra sobre o abdômen.

  • Inspire lentamente pelo nariz, procurando fazer com que a mão sobre o abdômen se eleve mais do que a mão sobre o peito.

  • Em seguida, expire lentamente pela boca, de preferência utilizando a técnica do freno labial, deixando o abdômen retornar suavemente à posição inicial.

  • Repita o exercício por 5 a 10 minutos, uma ou duas vezes ao dia, sempre sem provocar desconforto.


3ª dica: Procure um fisioterapeuta especialista em fisioterapia cardiovascular e respiratória


Embora algumas técnicas respiratórias possam aliviar a falta de ar, elas nem sempre são suficientes para tratar a causa do problema. Cada pessoa apresenta alterações diferentes na mecânica da respiração, na força e na resistência dos músculos respiratórios, por isso a avaliação individualizada é fundamental.

O fisioterapeuta especialista em fisioterapia cardiovascular e respiratória é o profissional capacitado para identificar essas alterações por meio de uma avaliação detalhada. Quando necessário, ele pode realizar testes específicos para medir a força e a resistência dos músculos respiratórios, analisar o padrão respiratório e compreender como a doença está afetando sua capacidade funcional. 

Além dos exercícios respiratórios, o treinamento físico aeróbico é uma das intervenções com maior respaldo científico para pessoas com doenças cardíacas e respiratórias. Quando prescrito de forma individualizada, ele melhora a capacidade do organismo de captar, transportar e utilizar o oxigênio durante as atividades do dia a dia. Como consequência, tarefas como caminhar, subir escadas, tomar banho ou conversar passam a exigir menos esforço, reduzindo a sensação de falta de ar e aumentando a disposição e a qualidade de vida.


A combinação de uma avaliação especializada, treinamento dos músculos respiratórios e exercícios físicos personalizados oferece resultados mais completos e duradouros, ajudando você a respirar com mais conforto, recuperar sua capacidade funcional e retomar suas atividades com mais segurança e autonomia. Agende um check-up funcional completo com a Dra. Caroline Schon, aqui na Empar. Referências:

Carvalho T,et al. Brazilian Cardiovascular Rehabilitation Guideline - 2020. Arq Bras Cardiol. 2020 Jun 1;114(5):943-987. English, Portuguese. doi: 10.36660/abc.20200407. Erratum in: Arq Bras Cardiol. 2021 Aug;117(2):423. doi: 10.36660/abc.20210642. PMID: 32491079; PMCID: PMC8387006.


Burge AT, Gadowski AM, Jones A, Romero L, Smallwood NE, Ekström M, Reinke LF, Saggu R, Wijsenbeek M, Holland AE. Breathing techniques to reduce symptoms in people with serious respiratory illness: a systematic review. Eur Respir Rev. 2024 Oct 30;33(174):240012. doi: 10.1183/16000617.0012-2024. PMID: 39477355; PMCID: PMC11522968.

 
 
 

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