Fibrilação atrial: sintomas, riscos e tratamento eficaz
- Clínica Empar
- 12 de mar.
- 4 min de leitura
Atualizado: 13 de mar.

Fibrilação atrial: o que é e como identificar esse tipo de arritmia
Por Dra. Patrícia Rueda – Cardiologista | Especialista em Arritmias – EMPAR
Batimentos acelerados, irregulares e a sensação de “coração tremendo” ou “fora do ritmo” podem ser sinais de fibrilação atrial, o tipo de arritmia (alteração do ritmo do coração) mais comum em adultos e idosos.
Muito frequente, a fibrilação atrial merece atenção! Quando não diagnosticada e tratada adequadamente, pode causar complicações sérias, principalmente o derrame (acidente vascular cerebral – AVC). A boa notícia é que, com diagnóstico precoce e acompanhamento correto, é possível reduzir significativamente esses riscos.
O que é fibrilação atrial?
A fibrilação atrial (FA) acontece quando o coração perde o seu ritmo organizado. Em vez de bater de forma regular, ele passa a bater rápido e descompassado.
Isso ocorre porque os átrios — as câmaras superiores do coração — deixam de se contrair de maneira coordenada. Como resultado, o sangue pode circular de forma mais lenta dentro do coração, favorecendo a formação de coágulos.
A fibrilação atrial pode se manifestar de diferentes formas:
Intermitente (aparece e desaparece sozinha)
Persistente (não melhora sem tratamento)
Permanente (o ritmo irregular passa a ser contínuo)
Cada situação exige uma avaliação individualizada.
Principais sintomas
Os sintomas da fibrilação atrial variam bastante. Algumas pessoas sentem sinais intensos; outras quase não percebem nada — o que torna essa arritmia ainda mais perigosa.
Os sintomas mais comuns incluem:
Palpitações (sensação de coração acelerado ou irregular)
Cansaço fácil ou falta de energia
Falta de ar, principalmente ao esforço
Tontura ou sensação de desmaio
Desconforto no peito
Em parte dos pacientes, a fibrilação atrial só é descoberta após um derrame (acidente vascular cerebral – AVC), reforçando a importância da investigação mesmo quando os sintomas são leves.
Por que a fibrilação atrial é perigosa?
O principal risco da fibrilação atrial é o derrame (acidente vascular cerebral – AVC). O ritmo irregular facilita a formação de coágulos dentro do coração, que podem se deslocar até o cérebro e causar o derrame.
Além disso, quando não tratada, a FA pode levar a:
Fraqueza do coração (insuficiência cardíaca)
Redução da capacidade para atividades do dia a dia
Piora da qualidade de vida
Maior risco de internações
As diretrizes mais recentes reforçam que identificar e tratar a fibrilação atrial precocemente reduz de forma importante o risco dessas complicações.
Causas e fatores de risco
A fibrilação atrial é mais comum com o envelhecimento, mas pode ocorrer em qualquer idade. Entre os principais fatores associados estão:
Pressão alta
Doenças do coração prévias
Diabetes
Obesidade
Apneia do sono (paradas da respiração durante o sono)
Sedentarismo
Consumo excessivo de álcool
Histórico familiar de arritmias
Hoje sabemos, inclusive pelas diretrizes brasileiras mais recentes, que o controle desses fatores de risco faz parte do tratamento da fibrilação atrial, e não apenas da prevenção.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da fibrilação atrial é feito por exames que registram o ritmo do coração. Além do eletrocardiograma, muitas vezes são necessários métodos de monitorização prolongada do ritmo cardíaco, como:
Holter 24 horas
Holter de 7 dias
Looper externo
Looper implantável, que permite acompanhar o coração por longos períodos
Esses exames são fundamentais quando a arritmia não acontece todos os dias.
Tratamento: muito além dos medicamentos
O tratamento da fibrilação atrial é individualizado e pode incluir:
Medicamentos para controlar o ritmo ou a frequência dos batimentos
Uso de anticoagulantes (remédios que afinam o sangue) para prevenir derrame (acidente vascular cerebral – AVC)
Procedimentos como a ablação, em casos selecionados
Além disso — e esse é um ponto cada vez mais reforçado pelas diretrizes atuais — o tratamento inclui obrigatoriamente o controle dos fatores de risco, como:
Perda de peso em casos de obesidade
Tratamento da apneia do sono
Controle rigoroso da pressão arterial
Prática regular de atividade física
Redução do consumo de álcool
Essas medidas aumentam a eficácia do tratamento e reduzem a chance de a arritmia voltar.
A importância do acompanhamento especializado
A fibrilação atrial é uma condição crônica, que exige acompanhamento contínuo. O seguimento com um cardiologista especializado em arritmias permite ajustar o tratamento ao longo do tempo, avaliar riscos e melhorar a qualidade de vida.
Com acompanhamento adequado, muitos pacientes convivem bem com a fibrilação atrial e mantêm uma vida ativa e segura.
Conclusão:
A fibrilação atrial é comum, mas não é inofensiva. Identificar cedo, tratar corretamente e controlar os fatores de risco são os pilares para evitar complicações como o derrame (acidente vascular cerebral – AVC) e viver com mais tranquilidade.
Se você sente palpitações, cansaço frequente ou tem histórico de arritmia, procure avaliação especializada. Cuidar do ritmo do coração é cuidar da sua vida.
A EMPAR dispõe de exames avançados para monitorização prolongada do ritmo cardíaco, como Holter, Holter de 7 dias, Looper externo e Looper implantável, essenciais para o diagnóstico preciso da fibrilação atrial.
Agende uma consulta com Dra. Patrícia Rueda, cardiologista e especialista em arritmias da EMPAR, para avaliação completa e orientação personalizada.
Referências científicas
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025.
Hindricks G et al. 2020 ESC Guidelines for the diagnosis and management of atrial fibrillation. European Heart Journal, 2021.
January CT et al. 2023 AHA/ACC/HRS Guideline for the Management of Atrial Fibrillation. Circulation, 2023.
Kirchhof P et al. Early rhythm-control therapy in patients with atrial fibrillation. New England Journal of Medicine, 2020.
Conteúdo educativo e informativo. Não substitui consulta médica individualizada.





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